Querida TPM, precisamos ter uma conversa!

Você sabe que estamos juntas há algum tempo e que no começo foi difícil até acertamos os ponteiros, mas que depois aprendemos a lidar uma com outra e tava tudo fluindo até que bem. Acontece, que de uns tempos pra cá essa relação tá ficando insustentável pra mim. Eu sei que vou te magoar, não me leve a mal, mas você me faz mal.

Cansei da sua bipolaridade, que diversas vezes me faz acreditar que sou mais louca do que imagino, cansei dos seus chiliques de achar que não tem roupa nenhuma pra sair, sendo que o guarda-roupas tá cheio e tem até aquelas “brusinha” nova que não resistimos e compramos JUNTAS. Isso sem falar no quanto você faz eu me enxergar gorda no espelho e ter uns chiliques de bater os pés, ao mesmo tempo que as mãos ficam batendo nas pernas, e aí tudo acaba com a cara enterrada na cama e um choro que parece que o mundo vai acabar.

E a quantidade de chocolate que você me induz a comer? Nem como tanto chocolate assim, mas é só chegar perto da sua visita que quero que tudo se transforme em chocolate, pode ser ao leite, amargo, crocante, vegano e por aí vai.

Quando estou com você eu faço voto de silêncio. Transformo a sensação de leveza e alegria para algo sombrio. E na doidera que fica a minha cabeça junto com aquele sentimento horrível de ódio e raiva, sei lá o porquê, eu me calo. O único momento na vida que fico calada. Chego até a sentir falta da minha voz. Meus amigos e familiares te adoram nesse momento, mas não fica achando que estão do seu lado não, pois basta que eu quebre o silêncio e comece a soltar fogo pelas ventas que eles voltam a te odiar.

Contigo já nem sei mais quem sou. Lembra daquele barraco no metrô porque tava cheio e não deixaram a gente entrar? E aquela buzinada na lotação com direito a dedo do meio e tudo? E as respostas secas e diretas? E aquele “Bom Dia” respondido, várias vezes, a queridas amigas com a frase “só se for pra vc”?

Cheguei a conclusão que você é uma péssima influência e me transforma em algo que não sou. Quando você surge sinto que to com o Poltergeist no corpo à procura da Carol Anne. Então, chegou a hora de exorcizar você. Não fica triste não e nem vem fazer showzinho…você precisa de uma intervenção.

Isso não é um adeus. Sabemos que uma vai estar presente na vida da outra. Não digo para sempre, porque um dia vamos ter que separar real, mas o que eu quero para o AQUI e o AGORA é te botar na linha. Deixar sua vida mais zen pra você me deixar em paz.

Portanto, minha cara, informo que a intensidade dos nossos encontros param por aqui. Nas próximas vezes que nos vermos vamos ter a companhia de florais e óleos essências que ajudarão a equilibrar essa relação. Tá bom, pode dar chilique agora, tenho certeza que você não quer intrusos no meio de nós, contudo lá na frente você vai perceber que isso vai fortalecer nossos laços e que foi a melhor saída para não acabarmos de vez com o que construímos todos esse anos.

Respira, compreenda e aceita que dói menos.

Espero te rever em breve, com outra energia, outro astral e feliz!

Até mais,

 

Milene Rolan, redatora do Feijoada Completa.

*Esse texto foi escrito no ápice da minha companheira TPM (não é frescura…ela existe) e dedico a todos que me suportam durante essa visita chata e, ainda, agradeço pela paciência e pelos florais e essências que as irmãs Pacces estão preparando para mim 🙂

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