Você já respirou hoje?

O simples ato de respirar pode nos trazer a consciência do corpo e da mente

A primeira coisa que fazemos ao nascer é respirar. Ninguém ensina, é inato. Os pulmões se enchem de ar em segundos e assim todo o corpo é inundado de uma matéria-prima necessária a sobrevivência…o oxigênio. Toda mamãe sempre fica atenta ao encher e murchar a barriguinha do bebê. Trata-se do sinal da respiração que faz tão bem ao coração materno, mostrando que tudo está bem.

Nossa despedida do mundo também se dá pela respiração. Sempre é o que nos resta no final, o último suspiro, deixando saudades a quem fica e a quem vai. Porém, durante a vida cotidiana não paramos para pensar nisso…para sentir nossa respiração, onde distraídos pelos afazeres do dia a dia e rodeados de tormentas esquecemos até de respirar.

Muitas vezes diante de um problema a nossa única solução é parar de pensar, de meditar sobre as ondas pessimistas que arrebentam nossos sonhos e nos trazem angústias e medo de viver. Bastaria apenas respirar um pouco para baixar a ansiedade, mas nos esquecemos disto quase sempre.

O corpo humano tem necessidade desta respiração. Podemos ficar muitos dias sem alimento, mas nenhum segundo sequer sem oxigênio. Cada célula do nosso corpo é alimentada, vitalizada e desintoxicada pela presença do oxigênio no sangue. Eliminamos radicais livres todas as vezes que o nosso sangue se torna oxigenado. Mas as pressões da vida em nosso peito não nos permitem realizar o simples movimento de inspiração e expiração.

O homem na construção de sua história guarda mágoas, medos, inseguranças e perde a capacidade de acreditar na vida. Nossos músculos do peito se enrijecem, o pescoço dói, a tensão e dor de cabeça são constantes e as costelas não se movimentam mais como quando éramos crianças.

A criança é livre, respira tão liberta e acaba sempre por perder o fôlego de tanto que corre, sorri e brinca com que existe de melhor na vida. São simples e não precisam de muito, apenas do necessário.

Correndo atrás do que sempre nos parece faltar deixamos o nosso corpo perder o ar e atrofiamos a capacidade pulmonar. Ficamos presos nas teias inconscientes que tratamos sobre nós mesmos e assim perdemos vida.

Já existem muitos estudos científicos que comprovam: nossa impulsividade pode ser interrompida por somente três segundos de respiração. O famoso “respira”. Talvez seja por este motivo que tantas pessoas hoje buscam na arte da meditação encontrar a quietude do coração.

Porém, nada na vida precisa ser constante, podemos mudar no instante em que desejarmos ser diferentes. Podemos assumir a felicidade e renascer sempre. Então, respire e aguarde.

Solange Freitas
(Fisioterapeuta e Diretora da Clínica TValle)

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