Como o teatro me formou para a vida e o mundo corporativo

Poderia começar esse texto apenas te contando que sou leonina e aparecida, talvez bastasse. Mas acho melhor ir um pouquinho mais longe e dividir com você que lá na escola de educação infantil, sempre pedia para dançar, cantar e sapatear, na primeira fila, em cima do palco é claro. Fosse vestida de pulga para dançar a famosa canção “A Festa dos Insetos”, do cantor Gilliard, um clássico, fosse no tradicional traje de bailarina. Ainda criança, na igreja, o teatro estava também presente, o que nos leva a quando, efetivamente, por volta dos 10 anos, comecei o primeiro curso de teatro. Para muitos uma “brincadeira” de criança, para mim uma realização.

Mas é na adolescência que chegamos ao meu momento mais dedicado a essa arte que me formou e transformou. Na companhia amadora da minha cidade natal, admirei um grupo de pessoas e artistas maravilhosos, que carrego em mim para sempre. Além deles, os diretores e os ensinamentos.

Então vamos ao prometido no título, depois de toda essa contextualização nostálgica?

Talvez o maior aprendizado que carrego é de que juntos somos melhores do que sós. Afinal, não se engane ao assistir um monólogo, daquela peça nada seria se o ator não tivesse consigo no palco o iluminador, o sonoplasta, o diretor, o autor e, claro, o público. Assim é na vida e como não citar na vivencia profissional em empresas. Pode ser você a apresentar o telejornal ou o seu canal no YouTube, mas se não fossem os outros profissionais, o sucesso certamente não seria o mesmo.

E como não citar a responsabilidade e o comprometimento? Ali, a arte e o grupo estão acima do cansaço e da exaustão. Afinal, com ou sem o diretor por perto, o ator ensaia 1, 2, 3…50 vezes, ele quer se melhorar, o grupo precisa estar 100% afinado para conquistar o seu objetivo. O melhor disso tudo, não me lembro disso ser feito 100% por obrigação.

A criatividade, ah… tão famosa e temida em muitas empresa e por muitas pessoas. Mas ela nada mais é do que um estado de espírito, de querer mais, de querer se libertar, de querer dar mais ao mundo, da necessidade de se inventar e reinventar o tempo todo. E mais uma vez não se engane, ela só vem, de verdade, com as duas outras lições acima aprendidas.

Tenha em mente algo para o mundo!

Essa é minha última lição aprendida. Na ânsia da adolescência e, claro, sendo leonina, podem imaginar a minha frustração ao não me tornar uma atriz profissional? Foi aí então que a magia do teatro se fez em mim. Foi aí que entendi que ser artista é dar algo seu para o mundo, de forma dedicada e comprometida e que era isso que me realizava no palco e na vida. Era eu mesma, liberta e aberta para todos os papéis que a vida me apresentasse. Daí surgiu o Jornalismo, carreira que amo e que me permite ser útil para transformar a sociedade, em uma outra forma de fazer arte.

Ah, mas isso é possível, com essa paixão, dentro de uma corporação que depende de lucros, você pode me perguntar. Minha resposta? De forma singela, honesta e de todo o coração: sim. Porque isso é sobre você, aberto e liberto, com algo para mostrar e colaborar com o mundo e com o grupo que vive ao seu redor.

E para terminarmos esse papo gotoso e, se puder, plantar algo em você, indico: se não tiver condições de  experimentar “fazer teatro” ou qualquer outra arte, assista, leia, vivencie das mais inúmeras formas que ela permite. Você não tem ideia do quanto podemos aprender com isso.

Até a próxima!

Bruna Carvalho, jornalista e redatora do blog Feijoada Completa

📷 divulgação e arquivo pessoal

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