Cultura Brasileira: O cenário cultural de massa evoluiu ou apenas mudaram os personagens?

Criticar o que se refere ao todo é mais fácil do que tentar entender o impacto positivo e a influência sob as próximas gerações

Atenção à era dos anos dourados, atenção a jovem guarda, atenção aos barracões de escolas de samba, atenção à Bossa Nova, atenção aos festivais de música brasileira, atenção ao tropicalismo, atenção ao movimento do pagode, do brega, do axé, do sertanejo e do funk. Atenção! Você está prestando bastante atenção na mudança do cenário cultural que acontece há tempos?

O que hoje é considerado “produto cultural”, a ser consumido facilmente pela massa, pode ser um grande marco na história futura do país. O rebolado da Anitta ou da Ludmilla não é diferente do antigo rebolado de Gretchen ou da Rita Cadilac, a questão é que para alguns é difícil aceitar ou admitir que ambas terão grande impacto nas gerações futuras, assim como as antigas rainhas do rebolado que quebraram barreiras, enfrentaram preconceitos e mostraram que o lugar da mulher é onde desejam estar. As grandes manifestações artísticas de anos atrás também receberam críticas a perder de vista e foram ridicularizadas/apontadas como um produto fácil a ser consumido por pessoas consideradas sem cultura. Mas, será que somente uma parcela da população tem cultura ou cada qual tem a sua?

Integrantes do tropicalismo que foi um grande movimento e divisor de águas na música popular brasileira. Da direita para a esquerda: Tom Zé, Gal Costa, Gilberto Gil e os Mutantes.

Antigamente as opiniões eram divididas, assim como ocorre no cenário atual, contudo muitos movimentos que causaram incômodos no passado são vistos na atualidade como revolucionários, audaciosos, originais e vanguardistas. A história por trás de um movimento é composta pela influência de comportamento, reflexão e provocações que imprimem a realidade brasileira – sendo grande marco na história por meio de artistas considerados “bregas”, “cafonas”, “vendidos” e “pobres de cultura”.

Será que hoje a nossa realidade mudou? O que será que as melodias românticas do pagode têm a nos dizer? E o sertanejo que parece ter sempre a mesma batida? E o funk ou o rap da periferia? Os movimentos de massa são o que há de melhor na cultura brasileira, pois retratam a realidade. Sabe aquela história da moça pobre do morro que adorava ir ao funk e começou a arriscar umas cantorias e, de repente, mostrou que além de cantar, rebolar, e ser dona de um carisma ímpar é também uma mulher incrível, empreendedora, empoderada, com visão estratégica de negócios e acaba por se tornar exemplo a tantas outras mulheres que buscam o seu lugar e sua força na sociedade?

Larissa de Macedo Machado, mais conhecida como Anitta.

Essa é a história da Larissa, mais conhecida como Anitta, que recebe críticas a cada nova plástica ou por levar para fora do país uma música que não represente o Brasil. Essa é uma das histórias de tantas “Larissas” por aí e que fazem parte de uma longa trajetória da nossa bagagem cultural. É só puxar na memória. Talvez, daqui a alguns anos, os artistas criticados hoje recebam o mesmo reconhecimento que muitos não tiveram lá atrás e que nos dias de hoje são identificados por suas representatividades, alcançando assim novas gerações que buscam referências para se impor, para ser e para realizar algo em um país que julga o tempo todo e esquece que sua história tem como pano de fundo a influência da arte, seja qual for, dos novos estilos que surgem, de comportamentos e tribos que não atraem a todos e que geram enorme incômodo.

Estar inserido neste cenário, como artista, é ter a dura tarefa de receber críticas e mais críticas até se levantar e mostrar através de atitudes, talento e personalidade a sua verdade e propósito – criando-se assim a identificação de seus seguidores com determinada tribo e cultura. Todos temos cultura, cada qual com a sua. Seja qual for a que te represente o importante é que nela você se encontre, se inspire e se expresse sobre a realidade que o cerca e que te cobra diariamente em ser algo o mais do que o esperado.

Ate a próxima.

Milene Rolan
(Redatora Feijoada Completa)

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