Como desenvolver confiança através da arte

Ali, sentada em um café, miro uma mulher elegante com seus lindos cabelos ruivos e curtos e que parece aguardar alguém, enquanto mistura com a colher o açúcar em seu café. Achego-me em sua direção e, deixando o fato de ser míope e ter esquecido os óculos, tento reconhecer se aquele rosto é o mesmo da mulher que estava conversando por WhatsApp dias atrás. Então, me aproximo e pergunto: Fernanda?

Um sorriso simpático é a resposta de que era Fernanda, a minha entrevistada. A entrevista foi marcada para que me contasse sobre o curso de “Teatro Para Não Atores”, a qual ministra em universidades e empresas. Logo, iniciamos o bate-papo de como transformar vidas através da arte pode ser algo incrível.

Com empolgação ouvi que lá na cidade de Itu, interior de São Paulo, ainda criança a timidez era sua amiga inseparável e foi por orientação da professora, Dona Nirlei, que decidiu então encarar os palcos, vencer a timidez e a ter mais confiança.

A experiência foi tão transformadora para a sua vida que decidiu, mesmo após se formar em artes cênicas e ter realizado diversos trabalhos como atriz, deixar o centro do palco e levar a técnica do teatro para outros moldes, se tornando professora e realizando através da arte mudanças interiores e exteriores.

A editora do Feijoada Completa na sala de aula com Fernanda Zerbini

Fernanda relata que o curso atrai diferentes públicos. Algumas pessoas buscam apenas pela curiosidade do teatro e outras para aprimorarem o desenvolvimento das apresentações corporativas. Mas, o que todos têm em comum é o medo do palco. Por isso, no primeiro dia de aula já avisa para ficarem tranquilos que ninguém vai se apresentar naquele momento, somente no último dia. Essa é uma das técnicas usada para trabalhar a confiança do aluno.

Com duração de quatro dias, o curso realizado no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, trabalha questões de expressão corporal para a desconstrução de alguns padrões e percepção do corpo, de fora para dentro, melhorando a autoestima. Seguindo na construção de cenas, personagens, roteiro, improviso e direção. Em uma das atividades o aluno fica responsável em ser o diretor de cena, com a proposta de fazer acontecer o trabalho em equipe e deixar de lado o medo do julgamento da “plateia”.

“Encontro ali pessoas com medo da crítica, do que as pessoas vão achar sobre a apresentação, relatos de que tem muito em jogo no mundo corporativo e, sim, tem muito em jogo, mas se você pensar que sua carreira depende de três minutos da sua fala, quem conseguiria falar alguma coisa? Quando você torna aquela dinâmica mais leve e apresenta técnicas que melhoram sua confiança e faz com que se lembrem de que se foram escolhidos para tal tarefa é porque dominam o assunto e passam credibilidade, tudo se torna mais claro”, diz Fernanda.

Com a definição de que o “teatro fica em você” a professora reforça que a partir da transformação do pensamento a mudança do corpo acontece de modo natural, nas situações reais que o aluno irá vivenciar, e de maneira mais segura.

A gratificação em apresentar o universo do teatro para pessoas que não dominam a arte é perceptível durante toda a conversa, que exala amor ao falar da forma como isso bate diferente na vida de quem adentra no curso com a ideia de algo lúdico e sai com sua imagem renovada, se percebendo bonito, confiante, capaz e ansioso em ousar, se mostrar e externar o que era sempre barrado por medos e inseguranças.

Sem rótulos o grupo se apresenta no último ato da imersão teatral com surpresas pela revelação da profissão de cada um e a certeza de que quando estamos livres de pré-julgamentos a comunicação flui melhor e abre espaço para a confiança e o empoderamento que é necessário para driblar os desafios da vida.

Para saber mais sobre o trabalho de Fernanda Zerbini, acesse aqui.

Até mais,

 

 

Milene Rolan, Jornalista e Editora do Feijoada Completa.

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