Museu da Memória e dos Direitos Humanos: uma retrospectiva sobre a sombria ditadura chilena

Vivendo aqui no Chile, já pude fazer vários roteiros culturais e um que me marcou bastante foi o Museo de la Memoria y dos derechos humanos, localizado em Santiago, capital chilena.
Nele, pude entender um pouco melhor do quão intensa foi a ditadura no Chile, através de fotos, histórias, imagens, documentos, provas, desenhos, vídeos e arquivos digitais que emocionam e nos fazem refletir sobre um período escuro da história latino americana.

As fotos dos mortos e desaparecidos, durante a Ditadura Militar Chilena, compõem o cenário do museu através das paredes

Em todo o acervo, pude aprender mais sobre o golpe de estado, vi a censura que a imprensa chilena sofreu, os desabafos de artistas como Pablo Neruda e relatos pessoais de sobreviventes das salas de tortura. Mas, de tudo isso, três coisas me chamaram mais atenção:

1. No primeiro andar, no setor chamado de “11 de Septiembre” (infeliz coincidência de datas), consegui ouvir o último discurso do presidente Allende no Palácio de la Moneda – antes do general do exército, Augusto Pinochet, tomar o poder. Também pude ler tristes cartas que os presos políticos enviaram aos seus familiares antes de serem executados. Além disso, consegui assistir ao vídeo do bombardeio ao La Moneda, momento em que ocorreu, de fato, o golpe.

2. No segundo andar, fui impactada e fiquei emocionada com os desenhos e cartinhas de crianças que tiverem familiares exiliados, presos ou desaparecidos, direcionados à senhora Lucia Hiriat, esposa do então Presidente Augusto Pinochet, perguntando onde estavam seus familiares e pedindo por paz.

3. Ainda no segundo andar, me arrepiei ao adentrar ao setor da “Verdade e Justiça”.’ O ambiente é tipo uma sala com paredes de vidros iluminada por velas artificiais. Nele, pude enxergar uma parede enorme que começa no piso anterior e que abriga fotos dos desaparecidos. Nesse mesmo ambiente foi possível navegar por uma tela interativa que te possibilita buscar pelo nome de um desaparecido.

Foi uma experiência cultural incrível. Me senti entrando em um túnel do tempo, que me fez refletir muito sobre o ocorrido. Com certeza é um dos lugares que não podem deixar de ser visitados aqui. Ah, e o preço? A entrada é gratuita!

Aline Aprileo
(Jornalista e Colaboradora do Feijoada Completa)

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