Por que grandes livrarias estão quase baixando as portas?

A Avenida Paulista é o coração da cidade de São Paulo e quem por ali passa pode conhecer a maior livraria do Brasil, a Livraria Cultura, que fica localizada no Conjunto Nacional – próximo ao metrô Consolação (Linha Verde). Assim como a Cultura, existem outras famosas e prestigiadas livrarias espalhadas pelo país, como a Saraiva e a Nobel. Mas, o que todas elas têm em comum no contexto deste conteúdo? A crise. Ela bateu na porta de todas, além de estar presente nas editoras de livros há um tempinho e, ainda, fez com que algumas até baixassem as portas de algumas lojas.

Tá, mas quando falamos de crise é algo muito abrangente, não é mesmo? Então para se fazer entender melhor essa “crise das livrarias”, que tá todo mundo falando, é preciso lembrar alguns fatos importantes lá de trás. Toda vez que o tempo avança, que a modernidade chega a novos tempos e que novas tecnologias surgem, ocorre uma ameaça direta ao que se tinha anteriormente.

Os livros estão condenados há tempos, não é de hoje não, digamos que desde a chegada dos primeiros folhetins e jornais, surgindo então os boatos de que estavam com os dias contados. Mas, se tratavam apenas de boatos como tantos outros que surgiram ao decorrer do tempo, contudo a grande pedra no caminho foi a evolução tecnológica que surgiu como ameça real.

Com o avanço avassalador da tecnologia, as capas duras e de ilustrações que chamavam o leitor/consumidor para dentro das lojas, foram trocadas por livros eletrônicos que cabem no bolso e na palma da mão. Os e-readers são práticos e possibilitam a leitura de vários títulos, onde somando o valor do aparelho e da assinatura, para baixar os conteúdos, o produto se torna mais barato do que comprar os livros físicos.

Este fato somado ao surgimento de lojas e-commerce (vendas somente online) fizeram com que o consumo do leitor passasse por mudanças, desde o formato da leitura à maneira de adquirir o produto, trocando as lojas de varejo pela comodidade de realizar a compra à um click do mouse ou da tela de celular, com preços bem baixos em relação as lojas físicas. O resultado encontrado pelos varejistas, citados acima, são muitas dívidas, contas de fornecedores em atraso, lojas sendo fechadas e pedidos de recuperação judicial (no caso da Cultura e Saraiva – as duas maiores responsáveis pela distribuição em venda de livros do país).

Em meio a crise editorial os apaixonados por livros e por livrarias criaram um movimento lindo incentivando às pessoas a presentearem, neste Natal, suas famílias e amigos com livros. Você já deve ter visto em algum dos feeds de suas redes sociais, pessoas realizando o #DesafioDasLivrarias e presenteando amigos e parentes com obras brilhantes. O uso dessa hashtag já entrou para os trend topics, do Twitter, e influenciou a criação de outras, como: #NatalDosLivros  e #DêLivrosDePresentes.

Foto que tirei no início do ano com pilha de livros que tinha que ler, o saldo agora são alguns lidos e novas aquisições que comprei em 2018 e passei na frente de outros hehe.

Deixemos claro, o que está em crise não é o livro, esse apesar da tecnologia continua com o seu público fiel, aqueles que gostam de segurá-lo, de olhar a capa, sobrecapa e de sentir o cheirinho de livro novo. A crise se deu porque o perfil de alguns leitores mudou e a forma de consumir o produto também, ocasionando grande impacto nas editoras e empresas varejistas de distribuição de vendas. O imenso desafio das livrarias, daqui para frente, será o de se reinventar em meio ao furacão e oferecer novas experiências de consumo e interação para o seu público.

Sendo assim, eu que sou doida por livros e livrarias, divido a esperança de que o movimento digital vai surtir efeito visando novos horizontes para 2019. Para quem é do mesmo bonde que o meu, sugiro que presenteiem os seus parentes e amigos com livros, tentem salvar as livrarias, e ampliar a visibilidade dessa campanha. Quem acha que o que está acontecendo em torno dos livros não passa de mimimi, é simples, são pessoas que não se tem o prazer ou o hábito da leitura. E se for pelo último motivo, indico com enorme apelo, o texto que a nossa colaboradora Mônica Almeida produziu há um tempinho sobre seis dicas para você ler mais.

Vamos juntos nesse balancê, pois é através de livros que uma sociedade amplia o seu conhecimento e realiza mudanças.

Até mais,

 

 

Milene Rolan, Redatora do Feijoada Completa.

4 comentários sobre “Por que grandes livrarias estão quase baixando as portas?”

  1. É isso, Milene. Muito bom! Tema ultra atual.
    Infelizmente, o futuro talvez não seja muito generoso aos livros físicos. Mas continuamos esperançosos!!

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